quinta-feira, 12 de junho de 2008

Crônica da regência sentimental

Era noite, e foi por acidente, resultante não somente da desorganização daquele quarto, mas da falta de coordenação motora do dono do quarto, que agora acreditava no que ouvia quando tinha lá pelos seus 12 anos: “Quando você for adolescente, vai ter a impressão de que seus braços e pernas são enormes, mas isso é apenas uma ilusão, já que você vai crescer muito rápido...olha só como você já cresceu!”. Nem mesmo ele sabia o que procurava, estava ligado a tudo, e nada. Quando por acidente, repito, ele tocou na superfície daquele espelho e ela começou a se movimentar, foi o escape perfeito que sua mente precisava pra se desligar, puxar o cabo da tomada. E as ondas continuaram, suaves e contínuas, como as formadas por uma pedra atirada que rompe a calmaria de um lago. Tocou-as, e o líquido, imiscível à primeira vista, pareceu aderir em seus dedos. E os dedos, primeiro o indicador, atento, depois todos os outros quatro... A mão, o braço, transpuseram tal mar de fantasia. Quando dizem que em situações surreais a mente fica isolada do mundo ao redor, ele achou ser a mais pura verdade, pois não pensava nos livros que podiam ser tão parecidos, não pensava que podia ali encontrar Alice, que viveu aventura semelhante na obra de Lewis Carroll, não pensava em nada, droga, nada.

Ora, ele estava agora no Mundo dos Espelhos? Mundo dos alucinógenos? No Limbo, ou algo assim? Riu. Riu consigo mesmo, riu pelo mundo, riu da cara de todos os escritores que tentaram em vão imaginar como seria uma experiência assim, e ele agora, ali. Tomou nota mentalmente: do outro lado do espelho não há um mundo mágico, não habitam pequenos seres mágicos, nem mesmo é um lugar bonito! Tudo era vago, um falso vácuo. Uma grande esfera cinzenta e oca. Só não acreditava ter ido parar em algo semelhante ao hiper-espaço pelo fato de ter conseguido ouvir sua própria voz quando gritou um OLÁ, ainda entre risos. E quando tais risos cessaram, ele sentiu medo. Um calafrio. Sibilou em pensamento quão agonizante seria ficar preso ali, ouvindo a própria voz em ecos infinitos, até ir à loucura, até ficar demente. E, não obstante ao medo que já sentia pela situação real que parecia exalar perigo, assustou-se com o irreal, que já não era tão distante, já que naquele lugar ele não se surpreenderia se começasse a ouvir o rugido de um leão...mas não, ele REALMENTE estava ouvindo o rugido de um leão! E antes que o susto lhe disparasse o coração e fizesse saltar as têmporas, ele viu, como que se saindo de dentro dele, o espectro de um leão, amarelo-alaranjado e onipotente. Tombou, antes que visse marcadas no couro do animal, em letras marrons e, por incrível que pareça (se é que algo ainda podia tornar-se mais inimaginável...), em negrito, a palavra CORAGEM. Numa fração de segundos, do mesmo modo que o leão pareceu sair de ser corpo, materializou-se à poucos metros uma lebre com a palavra MEDO, que fugia assustada em sua direção, e do mesmo modo, entrou em seu corpo.

Pirou, essa é a palavra. Pirou o cabeção. Pensamentos à mil: vida, morte, conhecidos, canções, religião, caráter, sol, início e fim...e num momento haviam dezenas de animais com um ar calmo, quase humano, vindo e saindo de sua direção. Sentia-se esperto, e uma vistosa raposa grifada com letras garrafais de ASTÚCIA entrou sorrateira em seu corpo, expulsando um lento caracol verde-musgo. E quando achou graça do conjunto, daquele alvoroço, foi a vez de uma foca com uma bola no nariz listrada com as letras de ALEGRIA aparecer (naquela cena, só a bola lhe pareceu fora do contexto). Choviam sentimentos naqueles segundos, minutos que se passavam. Quando achou-se no controle de novo, e sentiu-se anestesiado por tudo aquilo, achou que Darwin iria adorar ter visto o macaco da IRONIA, que fingia imitar um homem, sob as duas patas. Vai que Darwin também já esteve aqui antes de elaborar a Teoria da Evolucionista...

- Então é assim que o homem funciona - analisou. – Nada de hormônios que definem a TPM das mulheres, o estresse matinal masculino... é tudo um jogo, uma batalha teatral entre opostos, ligados. Tudo aparecia em pares polares. Norte-Sul, Leste-Oeste, Bonito e Feio. A coragem e o medo, a astúcia e a lentidão, a sagacidade e a mediocridade. Era tudo um grande YNG-YANG. Fez-se rei.

- E onde está a tua rainha? – Berrou uma coruja que lia um livro de bolso chamado RAZÃO. E foi como uma flecha (naquele mundo não havia cupidos, mas a persuasão emocional deles era ótima). Pensou nela, em uma só, uma musa. A sua musa. E não parou de pensar nela, naquela...até rimou um poema. Devia ser algum tipo de bônus daquele passeio: “Venha entediado, saia apaixonado”. A equipe de marketing devia ser realmente eficiente!

Então fez-se aparecer, imponente, um animal que até então estava desaparecido entre os outros. Uma grande ave, que fez os outros se calarem momentaneamente. Era o AMOR. E no rabo da ave, na ponta do rabo, pequenas letras formando ÓDIO. Não o ódio propriamente dito, dava pra julgar pelo tamanho minimizado do sentimento, mas o ódio passageiro, que como aquela pequena palavra diante do tamanho do pássaro, não é dominante, mas existe. É isso que as pessoas não entendem. Só de coragem morrem os corajosos, que se arriscam sem medir as conseqüências, e para isso aparece um pouco de medo em frente à algumas situações, servindo como um moderador. E algumas vezes o macaco da DIVERSÃO derruba o livro da RAZÃO da coruja, e faz mil graças. E os casais apaixonados brigam, sem perceber que aquele é o mais difícil dos jogos, um jogo de equilíbrio entre todas as sensações.

Puxado, saiu não sabe por onde, não se sabe por quê, ele voltou. Caiu de costas no carpete do quarto, limpo. Imutável. Pegou o celular, discou e deixou chamar 8 vezes. Era noite, ele se sentia poderoso. Podia dominar o mundo, podia imperar e ser humilde, e seus inimigos, olhando aquele personagem forte (quase mítico), não saberiam que calcanhar de Aquiles, inegavelmente, era do lado esquerdo do peito. Ele tinha que falar com ela, por isso tornou a discar o número mais uma vez...

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Campeões, não me senti disposto a escrever algo que transdordasse mais sentimentalismo nesse dia. Feliz dia dos Namorados, é uma ótima data. :*

sábado, 3 de maio de 2008

Tenho uma opinião bem singela sobre a poesia. Acho linda a disposição das palavras de quem sabe lidar com as mesmas, um eu-poético por natureza. O que acontece é que eu vejo da seguinte forma: quando lemos uma poeisa de um GÊNIO, autores eternos (entre meus prediletos, José Saramango e Álvares de Azevedo) vemos que toda aquela obra é pra sempre, tem um ar de poesia mesmo, mas quando lemos uma poesia de 'pessoas comuns' (eu, você), por melhor que seja, eu sempre penso 'é, uma boa , mas não algo genial'. Talvez seja por isso que eu não me arrisco com tanta frequência nesse mundo de metáforas.

Mas, em digna homenagem aos momentos que me aventurei, exponho duas. Uma 'romanticamente triste' e uma 'supostamente feliz'. Um Curinga.

Te quiero com lemón

Xícaras de cafeína com marcas de batom
Da boca que não provei um 'adeus'
À belprazer, não chego a ver
Pois com o fim da madrugada
Vão-se as gotas d'orvalho dos ventos meus
Vai-se você

Peno em acordar
Travo guerras e batalhas
Melho paralisar
A cair no mundo sem asas

Decido-me: não levantarei
Anseio por esperar
Quando sorrateira adentrará em meu quarto
Com as chaves que eu mesmo lhe dei
Chaves elas, que por magia só parecem funcionar
Ao escurecer
Não destrancando portas durante o dia
Só a do meu coração

Essa, eternizar-se-á límpida
Figurante em noites escuras
Como as gotas d'orvalho


Maré do tempo

Vamos todos poetizar!
Emaranhar frases no ar
Misóginas palavras dizer
Pouco a ganhar, mas nada a perder

Temos vida, temos história
Ações espertas e estúpidas
Olhares fugazes e lágrimas à pino
Tudo na mente, horror e bonança
Ora, todos não temos nosso livro de lembranças?

No passado mofado
Um aspirador de lembranças
Relembrar o que marcou
(Torpor que percorre quem sou)
Associar alguém à um mágico momento
Mandar-lhe beijos ao vento

O presente proferir em eterna descrição
A na boca narrativa, um sorriso em ascensão
Os pés formigando, mente em profusão
À mil por hora, correr na contramão
Vislumbrar rostos céticos na rua
Tocar a face da lua

O futuro, uma seqüência
Que virará presente, virará passado
Válvula de escape, nossa fuga fugaz
Com olhos brincalhões esperar o melhor
Com mãos apresadas peseguir nossos insights
Antes que o despertador toque e percamos o bom humor
Humor dos sonhos, onde o que queremos, somos
A família modelo, promoção no emprego
E, se porventura nada der certo
Virar charlatão com filosofia de boteco!


As outras (pior: existem outras) continuam reservadas à sete chaves em um arquivo-fantasma. :*

terça-feira, 29 de abril de 2008

Teoria romântica da físico-quântica

Faíscas. Estática. Tudo começa nesse ponto, quando os olhares apressados de dois corpos de massa ‘M’ e velocidade m/s que se cruzam. É como se a inércia fosse automaticamente forçada, e os corpos estancassem. O tempo pára, como param os dançarinos num tango frenético quando a mais bela das mujeres entra no salão com castanholas em punho.

Quando os corpos se chocam o estrago é ainda maior. O turbilhão de sentimentos elétricos percorre toda a extensão do corpo. O simples tocar de mãos gera isso. Não é como as trombadas entre as moléculas dos gases perfeitos, é mais uma troca de energia mesmo. Troca de temperatura. Como que aquecidas pelo calor sensível do contato (quem sabe latente, em casos mais severos onde parecemos ir às nuvens!), as bochechas enrubescem. São os sentimentos dela pros dele, dele pros dela, até alcançar o equilíbrio. Adicione isso as ondas compreendidas entre 20 e 20.000 mega-heartz que saem da boca do outro e chegam à nossos ouvidos como a mais bela das sinfonias, carregadas de palavras e expressões piegas, mas detentoras de uma simplicidade arrebatadora que parecem controlar a mecânica de nossos corpos. Sangue ferve, aquece, aquece, aquece...o coração, uma máquina de milhares de cavalos de potência funcionando à todo vapor !

BOOM, você está apaixonado, campeão! :) Derrubando princípios e teoremas, não há como provar isso. Você sente. Só.Ah, e não podemos esquecer que isso não é medido em btus, watts, joules... é grandeza sem medida. Quem sabe por isso que tantas vezes acaba sem raiz (e convenhamos, nada é pior do que um problema sem raiz): enquanto pra um é grandeza diretamente proporcional, que cresce mais e mais de acordo com carinhos e mimos, pro outro é inversamente proporcional ao mesmo exemplo, diminuindo com isso, que se torna sufocante. Voltando às equações, um relacionamento é extremamente difícil de ser transformado em números pela complexidade dos membros envolvidos. Humanos não são tão simples quanto parecem, ainda mais quando a personalidade altera como o gráfico de uma parábola. Pior: o próprio romance faz isso, jogando nosso humor de cima pra baixo como um gato arisco que brinca com um novelo de lã.

Ao passo que os problemas aparecem, nós damos uma de Einstein, Newton, Clay-Peron, e tentamos desesperadamente solucionar o NOSSO problema. Inventamos fórmulas, agimos em razão do nosso bem maior, e em um digno ÀS VEZES, conseguimos (em outras, achamos melhor nem tentar). Tudo pode ficar estável. Uma bomba estável, na qual confundimos o tic-tac com batidas do coração. Sempre é uma bomba, e todos somos camicazes românticos :)

Por fim, não esquecemos que energia não é criada, é apenas modificada, transferida. Aquele amor que ali estava, quando some, não morreu, campeões! Ele apenas passou pra outra pessoa. E nessa transição, o que ainda conserva um pouco do amor-energia não transferido, bem, esse sofre não como na física, na matemática, na química, que são racionais. Esse sofre como na literatura, um trovador ou pré-romântico, que é só saudade. :)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Vertical,

Primeiro vem a baforada de vento no rosto, expressivo, na maioria. Vento frio, do norte, ou em rajadas mornas e suaves, como que arrancado do litoral caribenho. Quem sabe até, carregado de folhas secas do outono, que colam aos lábios antes que os mesmos se fechem pelos poucos segundos seguintes. Logo depois, o salto.


Nesse ponto é onde o chão parece abrir sob nossos pés, e afundamos sem pesar, pesando como elefantes. Como gosto das bolhas! Aquelas, subsequentes à nossa entrada na água, que passam ligeiras por nossa pele. São alguns poucos segundos, encantadores. Sim, sejamos poéticos!


Os pés tocam o chão, ou não. O corpo, não mais leve, retorna à superfície. Raios ultravioletas sem dó.Enche-se os pulmões de ar, como um recém-nascido que respira pela primeira vez. Torturante, quando a magia se perde. O calor vem com uma força surpreendente e nos sentimos aquecidos de novo. Os braços se movem, direito, esquerdo, direito, eaquerdo, direito, esquerdo, num esquema já conhecido e como se elaborado por generais para com suas tropas de batalha. Todo o corpo se move, perfeita sincronia. E o riso, mesmo que escondido entre lábios e dentes, é inevitável. Riso de satisfação. Riso de libertação. Riso.


Deixemos o ceticismo de lado. Não é somente um salto na água. É nosso momento de emancipação por alguns segundos, ouvindo o 'nada' e de olhos bem fechados, abaixo da tênue linha que separa um universo de outro, onde não somos líderes, somos, apenas, seres flutuantes que esquecem de tudo entre moléculas de H²O.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Chegamos à faculdade. Meu tio havia esquecido uns papéis dos quais precisaria, logo, tivera que ir pegar. Acompanhei-o. Ao entrarmos na sala, encontramos as estagiárias da CPD (vide Central de Processamento de dados) reunidas em semi-círculo, fisuradas em um livro que mostrava-se aberto acima da mesa, entre cafés e celulares. 'Boa tarde' foi distribuído como de costume, e então pude ver as letras em azul-turquesa que destacavam-se na capa:

- COMO MONTAR UMA ONG -

Os devidos comentários não foram feitos, surgiram resumidos em uma única pergunta:
- Montar uma ONG? Em prol de quais motivos?
- Ah professor, ONGs dão dinheiro, pelas arrecadações.
Risos ou rugas de decepção foram escondidos. Com essas palavras, exatamente essas, foi tecida a resposta da que parecia ser a chefe do grupo.

É natural do homem a força de vontade para lutar pelo que lhe interessa. Os Neandhertais lutavam pela caça, por viver cada dia entre seres que mediam o sextúplo de seus tamanhos. Lutas entre nações não faltaram. No mundo contemporâneo, os dinossauros são o próprio homem, com egos amaciados e uma fúria ensandecida. Não precisamos de espadas e escudos, e temos hoje a oportunidade de lutar por ideais abstratos. Fundar uma ONG, um orfanato, um escola à crianças carentes são resultantes da força de alguém. Mentes fortes. Conseguir chegar ao cargo de maior calão da empresa também. Popularizar-se mundo afora, idem. O que digo é que somos sonhadores por natureza, tá nos genes espiralados, tá à um palmo dos nossos olhos. Homem sonha, homem perde, homem ganha. Falemos de sonhos, não propriamente ditos, apenas, outra palavra para desejos e ambições. Por quê usá-la ? Porquê ninguém gosta de admitir que quer ter algo que só conseguirá esforçando-se e mesmo assim ainda corre o risco de falhar. Ao passo que sonhamos, temos medo. Medo que tal qual uma erva daninha consome pouco à pouco, domina. Reina, e no fundo do poço de nossas mentes e anseios não há uma mola.

Lutemos por tudo que, entre estímulos nervoços e negações, ainda mostra-se atraente. O imã para nossas cabeças metálicas. Mas convenhamos, lutar pelo rídiculo SUCKS. Tudo bem, tudo bem, o que me parece rídiculo pode ser o pote de ouro de alguém, porém, não é social esperar pela diminuição da potência de fábricas automobilísticas em Michigan quando isso move a econômia do estado. As ONG's são sim uma forma materializada dos ideais de uma parcela de pessoas, e praticamente, em suma, vão contra ideais econômicos do nosso mundinho atual, mas não é por isso que vamos sair defendendo as borboletas que são caçadas durante a primavera nos campos turcos. Apenas para exemplificação.

Lutemos, com riscos calculados de nossos devaneios. 5 garotas, elas eram. Mulheres, com olhar profundo que esconde um imenso poder. Olhar que imagino em Joana Dar'c. Contudo, após ouvir as palavras que proferiram, aquelas garotas se tornaram detentoras não de um olhar poderoso e vencedor, mas vago, sem razões que transpusessem as barreiras do racionalismo. Tornaram-se comuns demais, e convenhamos, nada é mais humilhante que ser uma sombra de pensamentos frustrados.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

I'm not gonna write you a love song
Cause you ask for it
Cause you need one
You see, I'm not gonna write you a love song
Cause you tell me it's make or breakin' this
If you're on your way I'm not gonna write you to stay
If all you have is leavin'
I'm gonna need a better reason
To write you a love song
Today...

sábado, 19 de janeiro de 2008

Teorias chico-freudianas,

Daquele jeito bem underground.

Pelas batidinhas de piano (que chego a considerar techno, uma vez ou outra) dá pra reconhecer uma música de Coldplay. Ou pelos solos de harmônica que já consolidaram-se como marca registrada das (belas, deveras belas!) canções de Engenheiros do Hawaii. É o jeito singular que cada um possui, define para si. Conseguir sair do anonimato, ter um mínimo de reconhecimento depende de encontrar e tornar marcante essa peculiaridade.

Não é algo que possa ser forçado, um sorriso amarelado, o elogio luxuoso, pois o modo de cantar, fotografar..ou seja lá o que pretendemos fazer já está incrustado em nossas mentes, logo, flui naturalmente. E nem é algo que possa deve ser enquadrado em padrões. Direcionando o foco para a escrita, lendo umas duas ou três obras de alguém já mostra-se suficiente para identificar um 'estilo' característico, seja por uma palavra empregada periodicamente ou um uso expressivo (e demasiado) de metáforas. Sou um eterno fã enamorado de metáforas. Presto deveras atenção nisso, é como meu passatempo inserido dentro do passatempo da leitura.

Individualidade, essa é a questão. Chovem escritores, bandas, atletas. Um toque do seu diferencial é o que realmente conta. Não adianta ser só mais um na grande massa, e quando digo 'grande massa' me refiro à uma grande parcela da população que vive no mundinho mono. Monocromático. Monoesteticista. Monoestilístico. Iguais, e isso basta.

Um toque de personalidade. É isso que falta. Mas, defina personalidade. Já virou palavra estereotipada hoje. Ter personalidade, desde quando relembro meus conhecimentos sobre essa palavra, remota à estilos musicais, moda.. artes ? Por qual razão um conceito que pode dizer tanto sobre uma pessoa acaba por ser definidio por.. gostos ? Como dizer que alguém tem personalidade sem taxá-lo com algo banalizado ? É obreigatório isso ? Tem contrado assinado ? Recebe-se em euros ?

Personas, personalidade é diferente de estilo. Dessa mistura conceitual é que descende o problema. Sem olhar ao dicionário, acredito que personalidade possa ter relação com caráter, já que os princípios do ser podem influenciar um pouco mais que saber se o mesmo ouve bandas indies ou curte cinema europeu.

'Seria mais fácil, fazer como todo mundo faz
Caminho mais curto, produto que rende mais
[...]
Mas nós, dançamos no silêncio

Choramos no carnaval
Não vemos graça nas gracinhas da TV
morremos de rir no horário eleitoral'


Outras Frequências - Engenheiros do Hawaii